China conclui FPSO com captura de carbono, inovando na produção de petróleo offshore. Projeto visa reduzir emissões e reforçar o compromisso com energias renováveis e soluções ambientais
A China deu um passo importante na luta contra as emissões de carbono ao concluir o que afirma ser o primeiro navio flutuante de produção, armazenamento e descarga (FPSO) do mundo equipado com um sistema de captura de carbono.
O navio, de 330 metros, foi desenvolvido pela estatal Cosco Ocean Shipping Heavy Industry Company e será entregue ainda neste mês.
Capacidade de produção do navio
O FPSO tem capacidade para produzir até 120.000 barris de petróleo por dia. Mas sua grande inovação está no sistema de captura e armazenamento de dióxido de carbono.
Durante sua operação, ele captura o CO2 gerado pelos processos de remoção e viagem, armazenando-o a bordo, sem liberar o gás na atmosfera.
Isso representa um avanço importante na busca de soluções para reduzir as emissões na produção de petróleo offshore.
Segundo a Agência Internacional de Energia, a remoção e o processamento de petróleo e gás foram responsáveis por 5,1 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa em 2022, o que corresponde a 15% das emissões globais relacionadas à energia.
Nesse contexto, a criação do FPSO com captura de carbono pode ser um modelo para outras operações no setor, ajudando a aumentar o impacto ambiental da indústria petrolífera.
Iniciativas da China na redução de emissões de carbono
A China, maior emissora de carbono do mundo, tem investido também em outras tecnologias para combater as emissões.
Em 2023, a China National Offshore Oil Corporation lançou a primeira instalação de captura de carbono offshore no campo petrolífero Enping 15-1, em Guangdong.
A instalação pode armazenar até 300.000 toneladas de dióxido de carbono por ano, uma contribuição significativa para a redução de emissões.
Além da captura de carbono, a China tem se dedicado a projetos renováveis em grande escala. Fabricantes de turbinas eólicas têm desenvolvido modelos cada vez mais potentes, capazes de gerar mais energia com menos impacto.
Entretanto, o país enfrenta desafios relacionados ao descarte ou reutilização de grandes componentes dessas turbinas, especialmente suas lâminas, que têm vida útil de 20 a 25 anos.
Pesquisadores estão estudando formas de reaproveitá-las em materiais de construção, como cimento e asfalto, para minimizar o impacto ambiental.
Hidroeletricidade: um pilar da estratégia energética
A hidroeletricidade também desempenha papel fundamental na estratégia energética da China. O governo aprovou recentemente um projeto de grande porte no Tibete, sobre o Rio Yarlung Tsangpo.
Quando concluído, esse projeto hidrelétrico será capaz de gerar 300 bilhões de quilowatts-hora por ano, superando a produção da Represa das Três Gargantas, uma das maiores do mundo.
Com todas essas iniciativas, a China está demonstrando um forte compromisso em atender à demanda crescente por energia, ao mesmo tempo em que busca reduzir suas emissões e enfrentar os desafios ambientais do futuro.
(Publicado em 20/02/2025)